Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Entrevista a Augusto Águas - Ciclo de entrevistas "Como se prepara um Citroën 2CV?"

Este ciclo de entrevistas termina com uma entrevista a Augusto Águas, também conhecido por Augusto dos 2CV.

 

Conhecido na região de Lisboa como um especialista do Citroën 2CV e seus derivados, dedicou 40 anos da sua vida aos Citroën com especial relevo para os Citroën 2CV e seus derivados.

 

Ao longo de todas estas décadas as suas experiências e vivências com os Citroën 2CV foram extensas e variadas, entre elas assinalam-se algumas: participação no Encontro Mundial na Holanda em 1997, participação no Raid Portugal Autêntico em 2001, participação durante 6 anos nas corridas de Pop Cross, além de muitas viagens pela Europa e alguns encontros em Portugal e Espanha em redor destes bicilíndricos.

 

Sendo um perfeito conhecedor da mecânica do Citroën 2CV e dos seus derivados, Augusto Águas deixa alguns conselhos práticos à nossa primeira questão.

 


[Paixão 2CV] Antes de uma viagem quais são os cuidados que tem e como prepara o Citroën 2CV?

 

Acerca da preparação de um Citroën 2CV para uma viagem relativamente grande, acho que já muito tem sido dito, pelo que, o trivial, seria uma repetição escusada.

 

Mas, além de uma revisão cuidada e por uma questão relativa a segurança, não esquecer de verificar se o líquido LHM doe travões é 'recente', ou seja que apresenta o aspecto de novo, com aquele verde eléctrico que lhe conhecemos.

 

Com o aquecimento da travagem, o risco de ebulição torna-se provável e vai criar bolhas gasosas que dentro do circuito provocam a falha de travagem. E quando já está muito usado (sujo e/ou contaminado) o ponto de ebulição, fica reduzido. O Nuno Rocha explica isto e mais coisas interessantes aqui.

 

Recomendo: Se for apanhado desprevenido sem travões, injecte repetida e rapidamente no pedal até ele ganhar pressão e voltar a travar. Segundo o que a prática me ensinou, geralmente num máximo de dez pedaladas os travões voltarão a funcionar.

 

A explicação técnica, é a seguinte:

Segundo a Física, qualquer liquido, quando entra em ebulição, liberta bolhas gasosas. Essas bolhas é que vão impedir que o circuito ganhe pressão quando se actua no pedal, como eu disse acima. Há sobre aquecimento dado que os ventiladores dos discos não são muito eficientes, numa situação mais intensa, não são suficientes. 

 

Devido a normas ecológicas, o material de travagem dos calços deixou de ser à base de amianto, que é o melhor dissipador de calor conhecido. Na altura da substituição do amianto, por outros materiais com menor capacidade de dissipação mas mais ecológicos, já os 2CV estavam todos fabricados e o material dos discos e os ventiladores apenas são adequados ao material com amianto. Esse material também favorece a 'vidragem' dos discos o que agrava a dissipação de calor. 

 

Posso dar uma sugestão que utilizei durante muito tempo, sempre que necessário e que não traz qualquer inconveniente:

Quando ficar sem travões ou detectar principios destes sintomas, muito simplesmente pare, abra o capot e despeje uns litros de água para cima das bombas das rodas, até elas deixarem de emitir vapor de água.

 

OS DISCOS NÃO VÃO EMPENAR, como já me têm argumentado mas essa é uma afirmação gratuita.

 

Os discos de travão são em ferro fundido, pouco sujeito a empenos e embora para um ser humano, os 400 ou 500 graus a que eles se possam encontrar, seja uma temperatura elevadíssima, para o ferro é apenas menos de UM QUARTO da temperatura de fusão... E além disso, nunca, nos meus carros, se empenou algum disco.  

 

A propósito disso lembrei-me que, aquando do Raid Portugal Autêntico, com temperaturas ambiente muito elevadas, sobretudo nas descidas infindáveis, no Norte, todos os carros mais cedo ou mais tarde acabavam por ficar sem travões. 

Os raiders franceses, alguns com perto de uma dezena de raides, até pelo deserto, aprenderam aqui o truque. E depois era ver pelas fontes do percurso os Citroën 2CV parados e os condutores com garrafas de água na mão. E com um polegar levantado, agradeciam a dica. 

Resta acrescentar que nenhum disco empenou.

 

Outro hábito que sempre tive foi de transportar em qualquer viagem média ou grande, duas rodas sobresselentes.

 

É um sossego! Quando se tem um furo, passa-se o tempo a tentar encontrar onde o reparar e por vezes, sobretudono estrangeiro, torna-se difícil encontrar um local. E nessa ocasião dá-se por bem empregue o espaço que se perdeu com a 2ª roda.

 

Agradecemos ao Augusto Águas a atenção dispensada na resposta às nossas perguntas.

 

Ler todas as entrevistas.

 

publicado por Nuno Rocha às 22:36
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